❝Meu bem,
resolvi sair de casa hoje. Estava na janela a pensar na vida e um passarinho veio me buscar. Me senti estranha. Fosse quando tu estavas aqui, bastava abrir um sol para eu desejar longos passeios pelas ruas estreitas da cidade, hoje entretanto, perambulei feito alma penada que desconhece o seu caminho e não tem a menor graça no andar. Acenei e sorri sem a menor vontade, não vi encanto no cair das folhas que sempre achei tão curioso, menos ainda no movimento das nuvens que sempre me foi motivo de distração. Tudo me parece tão banal. Sentei na praça, comprei pipoca e com os dedos lambuzados de leite moça, eu chorei um bocadinho quietinha. Cadê você no balanço ao lado para sujar meu nariz de leite condensado? Onde está amor, onde está você que não me empurra mais para alcançar o céu e me parar com um beijo quando meus pés riscam o chão? Onde amor, onde foi parar o som da sua voz me dizendo pra gostar de você um cadinho todo dia até virar ‘cadão’ e não acabar depressa?
Sei que não precisamos de promessas, mas eu queria ouvir agora de você que “é tudo tão difícil, mas juro que vou voltar. É só por um tempo e esse tempo há de acabar”. Gosto de você hoje um cadinho a mais do que gostava ontem, mesmo aí tão distante. Sinto sua falta.
— Sempre sua, Cecília. (via
ciciar)
❝We don’t have a soul. We are a soul. We have a body.
❝- Já pensou se eu fosse até aí?
- Já pensei, já sonhei, já rezei.